Música, esporte, etc.

Blog do Arthur

domingo, fevereiro 25, 2007

Mixtape Top 10 de 2006

Peguei uma música de cada álbum do meu top 10 do ano passado (o que eu postei aqui, porque se eu fosse montar outra lista, provavelmente seria diferente hahaha), e montei um mixtape. Segue o tracklist, e depois o link pra download:

01. The Hold Steady - Stuck Between Stations (de Boys And Girls In America)
02. Umphrey's McGee - Words (de Safety In Numbers)
03. Destroyer - Rubies (de Destroyer's Rubies)
04. Béla Fleck & The Flecktones - Labyrinth (de The Hidden Land)
05. Tool - Jambi (de 10,000 Days)
06. Man Man - Engrish Bwudd (de Six Demon Bag)
07. Damien Rice - 9 Crimes (de 9)
08. Thom Yorke - Skip Divided (de The Eraser)
09. Loose Fur - Hey Chicken (de Born Again In The USA)
10. Neko Case - Margaret vs. Pauline (de Fox Confessor Brings The Flood)

Link para download

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O melhor do ano

1. The Hold Steady - Boys And Girls In America

Depois que eu li esse texto, eu não consegui escrever nada que não me fizesse querer amputar as minhas mãos. Então vou colocar ele aqui. Foi um cara de um fórum gringo que escreveu.

One of the great ironies of American life is that the allegedly endless air of possibility often suffocates the young. Boys and girls grow up being told they can be anybody, but most of them become their parents, compartmentalized in sleepy suburban pockets with sons and daughters and debts and, if they're lucky, a few airbrushed memories of what it felt like to have the world at their feet. The artists among them often follow their muse but fall victim to their demons, like Kerouac, who crisscrossed the country but ended up living with his mother and drinking himself to death, or John Berryman, who threw himself from a bridge and literally suffocated on the banks of the Mississippi.

Freedom can paralyze, and this paradox lies at the heart of all quintessentially American songwriting. Nick Hornby articulated the conflict as it appears in Springsteen anthems: "stay and rot, or escape and burn." Bruce's heroes usually make valiant stabs at getting the hell out, and it's for this reason that the Hold Steady and Springsteen - or more specifically, Boys & Girls in America and Born to Run - appear ideologically opposed at first glance. Craig Finn's anti-heroes stay and "walk around and drink some more," or follow directions to a party on the other side of town, or at most cross state lines to see a concert; they punish themselves with drugs and end up trapped by chemical dependency; they search for salvation in empty bottles and beauty in lonely girls, but ultimately they don't travel far. Despite their low aspirations, they have the same desperate faith as Springsteen's road warriors - the same sense that they have something to live for, even if it's a mere few seconds of satisfaction.

Boys & Girls in America is first and foremost about pleasure-seeking, but Finn approaches the topic with first-hand knowledge of both its terrible cost and its sacred purpose. "Stuck Between Stations'" message of mortality lingers like last call over the succeeding booze-soaked vignettes, which follow Finn's subjects to bars, malls, race tracks and places in between, ultimately finding virtue in the fact that a few local girls aren't going anywhere. The rest of that cribbed Kerouac quote begs for "real straight talk about souls, for life is holy and every moment is precious"; this is a lot to ask for from teenagers and twentysomethings basically looking to get drunk and fuck each other, but Finn won't settle for less. His narrator is by turns an over-the-hill dreamer, a bent-out-of-shape cynic, a believer in young people even as he exposes their weaknesses. He's also a somewhat tuneless lead vocalist, and some critics have argued the album's pop sensibility is wasted on a frontman that often seems frustratingly indifferent to his musical surroundings. "Indie" rock has always placed a premium on vocal eccentricity or even inability, but it's worth asking whether Boys & Girls might have been a better album in the hands of a bona fide singer.

The other predominant criticism of Boys & Girls is that it's a "big, dumb rock record" hampered by literary pretension, its fist-pumping bravado blended awkwardly with Finn's steel-barbed, scenery-chewing rants in a way that dilutes both melody and narrative. Many of the choruses are big, some of the lyrics are indisputably dumb, and the song cycle is stuffed with rock clichés â“ kissing, drinking, drugging, dancing, to name a few. But through the album's theme of living fast while staying put, it makes the one statement pop music ever truly has: life is to be enjoyed, come hell or high water or the indignities of age. There's a resigned sadness in Finn's stories, but everything behind them - massive hooks, majestic keys, backbeats designed to shake barstools and car windows - provides a deliriously happy counterpoint, an insistence that there are always good times ahead. And for all Finn's sermonizing, one "big, dumb" message resounds above the rest: being young and getting drunk is fucking awesome, a corollary to Kerouac's reminder that "nobody, nobody knows what's going to happen to anybody besides the forlorn rags of growing old." Sal Paradise was right, but there's still plenty of time for both the hedonism and soul-searching Kerouac and Finn bear witness to.

Ultimately, then, perhaps that American paradox is not as heartbreaking as it first appears. Circling around your hometown, chasing after the wrong girls and getting obliterated with your friends will get you nowhere - but that may not be such a bad thing.


No próximo post vou colocar uma coletânea que montei, com uma faixa de cada CD do meu top 10.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A medalha de prata

2. Umphrey's McGee - Safety In Numbers

O Umphrey’s McGee percorreu um longo caminho, e a evolução da banda fica clara quando se ouve seus discos. Local Band Does OK, lançado em 2003, é mediano. Bons músicos fazendo uma música complexa, mostrando a influência progressiva do grupo. Talvez de forma muito exagerada. Seu sucessor, Anchor Drops, lançado em 2004, é um grande avanço, com vários destaques. A evolução dos 6 integrantes como músicos e como uma banda é clara.

Em 2006, sai Safety In Numbers. Uma verdadeira obra-prima. Cinninger e Bayliss estão consistentes durante todo o álbum, tanto nas guitarras e violões como nos vocais. Vocais, aliás, que não são, de forma alguma, o ponto mais forte da banda. Mas eles estão presentes, de forma consistente e deixando o espaço aberto para a musicalidade brilhar.

Jake Cinninger é, sem sombra de dúvida, o destaque da banda. Seus solos são precisos, sem exageros, mas sem ficarem ausentes, sem deixar a desejar. Os riffs de guitarra e violão se encaixam perfeitamente nas músicas, e não roubam a cena. Ele aparece e deixa a banda aparecer, ao mesmo tempo.

A obra-prima do CD, possível música do ano de 2006, é definitivamente Words. A letra maravilhosa, acompanhada dos já conhecidos riffs de Cinninger e Bayliss, seguidos pelo teclado preciso de Cummings e a bateria perfeita de Myers. O destaque, porém, fica por conta da bela percussão de Farag. O percussionista geralmente acompanha e faz suas viradas aqui e ali. Mas, em Words, ele executa o acompanhamento de forma excepcional.

O CD é preciso em todos os momentos. Sempre. Algumas músicas já vinham de turnês passadas, outras foram compostas em estúdio. Mas a mescla foi executada com perfeição e em nenhum momento a banda deixa a desejar.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

E chegamos ao Top 3

3. Destroyer - Destroyer's Rubies

Dan Bejar conseguiu. Finalmente, entender o álbum é sinônimo de gostar dele. Antes de Destroyer's Rubies, todos os CDs da banda ultrapassavam a linha da curtição do álbum para todos, menos para os fãs mais dedicados. Embora Bejar não tenha abandonado as críticas que sempre fez em suas letras, agora a música alcançou o ouvinte casual. A antes abrasiva voz que comandava a banda passou a algo muito mais agradável, e que se encaixa muito mais em um som genial. O álbum é perfeito para dirigir pela cidade naquela noite quente (de temperatura mesmo), desde os la-la's da faixa inicial (e, bem, do álbum todo) até o fantástico tributo a Neil Young, "Sick Priest Learns To Last Forever".

Apesar de trazer a música do Destroyer a outro nível, se há algo que não acontece no álbum é o abandono do som antigo. É uma expansão em cima de um universo já estabelecido, habitado apenas por artistas, escritores, padres, ladrões, bandidos e mulheres perigosas. Os arranjos, eventualmente "largados" (obviamente gravados ao vivo em estúdio), permitem que a brincadeira de palavras de Bejar aconteça de uma maneira espontânea e divertida, o que faltava antes. As alusões literárias e à elementos da natureza são inúmeras. Bejar finalmente abraçou o talento que sempre esteve em seu bolso.

Jazz e bluegrass fundidos para chegar ao quarto lugar

4. Béla Fleck & The Flecktones - The Hidden Land

Depois de lançar um CD triplo (!), o Little Worlds, em 2003, os Flecktones voltaram com força total e gravaram o seu segundo melhor CD de estúdio. O antecessor continua intacto na primeira posição. O novo CD do quarteto traz uma fusão de jazz e bluegrass da melhor qualidade. Béla Fleck no banjo, Jeff Coffin no saxofone e os irmãos Victor e RoyEl (também conhecido como Futureman) Wooten, que tocam, respectivamente, baixo e bateria. Todos eles são músicos fenomenais que, ao combinarem seus talentos, fazem músicas fenomenais. Todos eles têm seu espaço para solar, e nenhum solo se estica demais ou fica sem rumo. Tudo tem um propósito e há momentos em que dois, três ou até mesmo todos começam a solar juntos. E, ao contrário do que possa se pensar, o som não fica "congestionado". Pelo contrário, o talento individual de cada um transparece nesses momentos e mostra do que eles são capazes. Os destaques ficam por conta de Labyrinth e Kaleidoscope, exemplo perfeito da genialidade de cada membro do quarteto.

Tool volta em grande estilo

5. Tool - 10,000 Days

Maynard James Keenan é um dos 3 melhores vocalistas da história do rock. E o cara ainda compõe bem. E a banda que trabalha com ele é fantástica. Com certeza um dos CDs que eu mais antecipei esse ano. Eu ainda lembro de quando ele vazou. Fazia tempo que eu não ouvia Tool. E começou a linha de guitarra discreta, porém reconhecível, de Vicarious. O Tool estava de volta. E entra a bateria e o vocal poderoso de MJK. As guitarras continuavam perfeitas, o baixo marcante e Keenan continuava cantando magnificamente. E, na medida que se passavam as músicas, continuavam a se destacar o vocal de Maynard, as guitarras de Adam Jones e a bateria de Danny Carey. O baixo de Justin Chancellor não é destaque, mas as linhas são fantásticas e se encaixam perfeitamente na música do Tool. Até que chega The Pot. Concorrente certa à melhor música do ano, com certeza fica entre as 5 melhores. A música começa com um vocal mais agudo de MJK. Em seguida, entra o baixo, depois a guitarra e por último a bateria. E a obra-prima de quase 6 minutos e meio é praticamente a definição de Tool. Letra crítica, vocal poderosíssimo, guitarra marcante, um baixo que se encaixa perfeitamente e uma linha de bateria que se encontra entre os melhores trabalho de Carey. Com certeza é o destaque do CD. Mas o rock continua com Rosetta Stoned, Intension e Right In Two. A decepção do CD fica por contade Viginti Tres, a última faixa. Não é bem uma música, é quase uma vinheta. Lipan Conjuring e Lost Keys também lembram vinhetas, mas tem qualidade musical. Viginti Tres parece a trilha sonora daquelas vinhetas da MTV.